Depois de tantos filmes, seriados, mini-séries, graphic novels e quadrinhos com temática vampiresca, você não deve estar muito animado para assistir um outro filme sobre esse assunto, né? Pois fique sabendo que conseguiram fazer um original, interessante, bonito, engraçado e ao mesmo tempo horripilante!

Trata-se de um filme bem simples em branco e preto. O que é diferente? Pra começar, o vampiro é uma vampira jovem e bonita. Você já viu isso antes? E se eu contar que elafala persa, a língua do Irã? E se eu disser que o filme se chama “Uma Garota Volta para Casa a Pé à Noite”, que é a tradução do título original “A Girl Walks Home Alone in the Night”, mas que no Brasil acabou virando “Garota Sombria Caminha pela Noite”? E se eu ainda completar dizendo que é um filme que se passa em umacidade imaginária chamada Bad City, que fica no Irã, nos tempos atuais?

Irã é aquele país que se chamava Pérsia e guerreou um tempo com o Iraque, país vizinho, onde tem muito petróleo no subterrâneo e por isso está sempre na mira de bandidos internacionais e para completar está nas mãos de mulçumanos pra lá de radicais, certo?
Um adendo pra quem quer entender melhor sobre a história do país, vale assistir o filme “Argo”, que ganhou oOscar alguns anos atrás e mostra quando a Pérsia passou a ser Irã e deixou de ser aliada dos Estados Unidos, tornado-se inimiga.

Bom, voltando ao meu foco aqui, não vou nem me alongar no fato do título em português ser bobo e não dar a menor vontade de se ver o filme, quando eu li esse nome pensei: “Esse eu não vou ver mesmo!”. Mas tudo mudou quando fui surpreendido pelo trailer no cinema, resolvi ver e me diverti de montão. O filme é americano, feito numa cidadezinha da Califórnia, mas é falado em persa, com atores iranianos ou descendentes. E como eu já disse, se passa no Irã mas jamais poderia ter sido feito lá, onde a censura é um dos itens mais leves da repressão que sofrem os artistas e a população em geral.

Não desanime por ser um filme em preto e branco, porque isso tem tudo a ver com a história – é só com a falta de cor que dá para um fotógrafo fazer as cenas que se passam de dia, com sol, parecerem soturnas, estranh]
as e noturnas.
“A Girl Walks Home Alone in the Night” é muito americano e iraniano, ao mesmo tempo, assim como vários dosatores e a diretora, que também escreveu o excelente roteiro, onde não tem uma cena inútil, envolvendo poucos personagens num enredo cheio de surpresas, cenas engraçadas – sem que os atores façam graça - e cenas fortes de terror.

A diretora Ana Lily Amirpour, que nasceu na Inglaterra mas imigrou com a família de iranianos quando pequena para os Estados Unidos, definiu o primeiro longa dela como “o primeiro faroeste vampiresco persa”.
Ficou curioso? Ainda precisa ser convencido?
Então dá uma olhadinha no trailer:
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